Summer Echoes – Sin Fang

Summer Echoes. É a proposta do Sin Fang para trazer mais luz aos dias. Sons para ouvir de olhos fechados, enquanto o vento balança as cortinas. Um naco do verão, em tons sutis de inverno, pintadas em azul e amarelo.

É muito subjetivismo, eu sei. Mas, diante da simplicidade (e ao mesmo tempo detalhismo) do trabalho do Sin Fang, se faz impossível descrever objetivamente qualquer música deste disco. Summer Echoes é a trilha perfeita para momentos de reflexão. Nas últimas semanas, se tornou o meu som favorito. Seja para acordar, seja para dormir.

A Islândia costuma ser o palco de diversos projetos peculiares, como Sigur Rós, o Múm, Björk. Com o Sin Fang a história prossegue. A banda de um homem só, Sindri Már Sigfússon (ex-líder da Seabear), tem dois discos lançados: “Clangour(08)” e “Summer Echoes(11)”. Fazendo a linha indie/lo-fi/trip hop/post rock/experimental, Sigfússon leva o Sin Fang para um lado cheio de peculiaridade, impedindo classificações.

Bom, já que é assim, só nos resta degustar essa maravilha. Subjetive você mesmo como o Sin Fang vai colorir teus pensamentos. Para mim, se fazem deslumbrantemente claros.

Easier inicia o disco, em tom alegre de piano e um coro bonito de vozes. Os efeitos eletrônicos lembram bastante o Efterklang, que deve ser referência para a música de Sigfússon. O finzinho da faixa é lindo de morrer. Escute:

Seguida de Bruises, cheia de sons de floresta (passarinhos, água corrente, folhagens balançando no vento) e um tom esfumaçado de ópio. Fall Down Slow vem mais escura, com a guitarra rasgando em alguns trechos e os efeitos mais pesados. A voz, como de costume, é levemente densa e lentamente se arrasta na melodia.

O verão da Islândia se faz notoriamente cheio de melancolia em seus raios de sol, e isso é bem impresso em Summer Echoes. Em Because Of the Blood um lindo coro. Uma melodia mais animada, acordes de violão e um refrão bonito. O clipe também, ó:

O disco segue nesta linha, ainda surpreendendo. Muito embora, o começo tenha as faixas mais interessantes, do meio para o fim temos exemplos bem belos, como Sing From Dream, mais eletrônica e com um tom mais lunar.

Two Boys vem quase como um sussurro, em um clipe bem peculiar:

Slow Lights é a faixa final, categorizando o disco. O início é perfeito para acordar, o final perfeito para dormir. Entretanto, a ordem dos fatores não altera o produto. O Sin Fang tem um belo gosto pelo mundo e expressa isso muito bem, em cada detalhinho.

Os tons escuros, até mesmo do verão, trazem flocos de neve em redomas arredondadas.

E é assim que o Sin Fang, pouco a pouco, aprisiona-se a ti mesmo e conduz viagem. Para verão dentro da gente.

MARINA RIMA
marinarima@brrun.com