Richard Hawley – Standing at The Sky’s Edge

Richard Hawley – Standing at The Sky's Edge

Resenhar um disco não é uma tarefa fácil. É ainda menos justa, tanto para o artista quanto para quem escreve, já que a resenha se baseia em grande parte na interpretação e repertório do próprio resenhista. A minha estreia no site acabou por coincidir com o novo disco de um de meus songwriters favoritos, Richard Hawley, e por isso achei necessária fazer essa introdução, quase como uma ressalva.

Richard Hawley

Para ninguém ficar perdido: Hawley, natural de Sheffield na Inglaterra (e local sobre o qual escreve grande parte de suas músicas), já está na ativa há um bom tempo. Foi membro da banda de britpopLongpigs” na década de 90 e fez parte de uma das formações do “Pulp” anos depois. Nos anos 2000 se concentrou em sua carreira solo, chegando agora ao seu sétimo disco, Richard Hawley – Standing At The Sky’s Edge (2012). E que disco diferente é esse…

A primeira audição causa estranhamento. “She Brings the Sunlight”, a faixa de abertura, já mostra que tudo mudou de 3 anos pra cá. Hawley diz adeus a simplicidade e produção enxuta de “Truelove’s Gutter” (sensacional disco de 2009, praticamente todo acústico) para investir em muitas texturas, reverb, distorção, violinos, cítaras, solos de guitarra (são dois só na primeira música) e psicodelia. E o disco inteiro acompanha essa mudança.

A segunda faixa, que da nome ao disco, é mais simples, sem os exageros da faixa de abertura e mostra melhor as características pelas quais Hawley é conhecido: seu vocal barítono que deixaria Mark Sandman orgulhoso e suas letras cheias de personagens humanos. “Time Will Bring You Winter” é bonita porém genérica demais, enquanto “Down in The Woods” soa como uma música punk com elementos psicodélicos, guitarras com fuzz e solo barulhento, introdução perfeita para a doçura e calmaria de “Seek It”, de longe a música mais pop e acessível do disco. É uma daquelas músicas que parecem ter sido feitas com um comercial ou cena de filme romántico já em mente (e fique claro que não considero isso ruim). Mesmo não surpreendendo, mostra a veia pop do autor.

Richard Hawley

As duas faixas seguintes, “Don’t Stare at the Sun” e “The Wood Collier’s Grave” são as que trazem mais semelhanças com os discos anteriores, com belas melodias e as letras inspiradas de sempre, abrindo caminho para “Leave Your Body Behind You”, primeiro single do álbum. O disco termina com a belíssima “Before”, em minha opinião a melhor faixa do disco. Uau.

E agora vem a parte difícil que mencionei lá na introdução. “Standing At The Sky’s Edge” está longe de ser um disco ruim, tem muitas idéias interessantes e uma sonoridade muito bem trabalhada, mas em momento algum chega a ser memorável como eram alguns dos trabalhos anteriores de Hawley. Mesmo sabendo que a produção do disco foi focada justamente nessa parede de instrumentos, reverbs e rocket sounds (como diria o próprio Hawley), o resultado final soa um tanto genérico, com músicas sem muita identidade, que se apóiam apenas no talento inegável que o compositor e banda tem de executá-las. Mesmo assim ainda é um dos lançamentos mais curiosos do ano e vale a pena ser ouvido.

Nota: 07/10

Richard Hawley

GUSTAVO RICHIERI

Fotos: Divulgação